Novo blog do CLIC

O Culturas, Linguagens e Interfaces Contemporâneas possui um novo blog. Todas as informações sobre o CLIC 2012 estão disponíveis em http://portalclic.blogspot.com/.

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A logo do CLIC 2012

Início de 2012, início da programação do 2º Culturas, Linguagens e Interfaces Contemporâneas, o 2º CLIC. No primeiro dia do ano divulgamos a logo do evento, que já está disponível em nossa página no facebook (https://www.facebook.com/Clic2012). A logo, seguindo a proposta de simplicidade, apresenta uma lâmpada formada pela sigla do evento iluminando um fundo cinza e preto.

Segundo Yasmin Pires, idealizadora e criadora da logo, a mesma “propõe a síntese da atividade proposta pelo evento, que tem como parâmetro a discussão de temas culturais contemporâneos, justificando o traço adotado. Por usar uma lâmpada como simbologia, formada pela sigla ‘CLIC’, ainda expressa o caráter simbiótico entre a produção de conhecimento e a problematização do mesmo”.

Também foi divulgada uma versão da logo, com a arte em cor preta e fundo branco, que está como avatar do twitter do CLIC (http://twitter.com/clic_2012). Ambas farão parte da identidade visual do evento.

O CLIC 2012 será realizado no segundo semestre, em data e local a serem divulgados em breve. Até lá, várias atividades prévias do evento serão realizadas. Se você tiver alguma sugestão de tema ou convidado, envie para nós.

Fernando Segtowick é destaque na programação desta quinta

O roteirista e diretor paraense Fernando Segtowick é destaque na programação desta quinta do 1º CLIC, quando participará da mesa “Audiovisual da Amazônia: estética, discursos e contemporaneidade”.

Segtowick, que é graduado em jornalismo pela Universidade Federal do Pará e estudou cinema na New York Film Academy (Estados Unidos), já dirigiu vários comerciais, videos institucionais e documentários, como Imagens Cruzadas (2005) e “Jovens, Tefé, AM” (2008).

Dentre seus curtas destacam-se Dezembro (2004), Matinta (2010) e Dias (veja abaixo na íntegra), objeto de análise do Prof.Dr. Relivaldo de Oliveira em seu artigo “Antropologia, cinema e cidade: representações de Belém do Pará em Dias” (disponível em http://bit.ly/rgNDME).

Além de Fernando Segtowick e Prof. Dr. Relivaldo de Oliveira, está confirmada na mesa também a Profa. Ana Cláudia Melo, coordenadora do curso de Bacharelado em Cinema e Audiovisual da Ufpa. A mesa terá início às 18h, no Auditório do ICA (Ateliê de Artes – Ufpa Campus Guamá).

Veja a programação completa desta quinta no CLIC: https://portalclic.wordpress.com/convidados-2/

 

1º CLIC inicia nesta terça, dia 27

Neste dia 27 de setembro de 2011 terá início o 1º Culturas, Linguagens e Interfaces Contemporâneas, encontro para se observar e discutir temas, fronteiras e processos nos mais diversos campos, como o das ciências sociais, da comunicação, das artes, filosofia e história

Com uma temática inovadora, o evento pretende se tornar centro das discussões sobre as linguagens e culturas contemporâneas na região, afastando-se de academicismos e observando que as relações contemporâneas estão muito mais presentes na vida de todos do que se possa imaginar. Daí temas como o uso do corpo na dança e teatro, identidades e tatuagens, música e novas mídias, migrações, juventude e cidade, gênero e artes, relações entre cinema e literatura, entre tantas outras temáticas relacionadas ao período contemporâneo.

O 1º CLIC começa amanhã às 14h, com o credenciamento dos participantes. Veja a programação completa do dia 27/09: 

 A partir de 14h – Credenciamento – Auditório do ICA (Ateliê de Artes – Ufpa Campus Guamá)

 14h30 – 16h30  Minicursos/ Oficinas

 17h: Debate e lançamento do livro “Belém do Pará: história, cultura e sociedade”, organizado pela Profa. Dra. Ligia

Capa de "Belém do Pará: história, cultura e sociedade", organizado pela Profa. Dra. Ligia Simonian, que abrirá o 1º CLIC.

Simonian (NAEA/UFPA), no Auditório do ICA (Ateliê de Artes – Ufpa Campus Guamá). Saiba mais sobre o livro: https://portalclic.files.wordpress.com/2011/09/belem-historia-cultura-sociedade.pdf

 18h – Mesa de abertura do 1º CLIC – Auditório do ICA (Ateliê de Artes – Ufpa Campus Guamá)

 18h30 – Palestra de abertura  “ContemporaneidadeS: culturas urbanas e interfaces” com a Profa. Ms. Rosaly Brito (Ufpa) – Auditório do ICA

  • Profa. M.Sc. Rosaly Brito: Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais – Antropologia, da Universidade Federal do Pará. É mestre em Comunicação pela Universidade Metodista de São Paulo graduada em Comunicação Social – Jornalismo na UFPA. Atualmente é professora da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal do Pará. Recebeu, em 1980, o Prêmio Esso Regional Norte de Jornalismo. Há mais de uma década ministra, tanto na graduação como na pós-graduação, disciplinas ligadas às teorias da comunicação, teorias do contemporâneo e comunicação e política. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/4471773526594200.

 19h30 – Coquetel de abertura – Auditório do ICA (Ateliê de Artes – Ufpa Campus Guamá)

Entrevista: Helio Netto

Helio Figueiredo S. Netto possui bacharelado e licenciatura plena em Ciências Sociais (Sociologia) pela Universidade Federal do Pará (2007) e é mestre em Antropologia pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências

Para Helio Netto, a compreensão da tatuagem é envolvida por um paradoxo: de um lado, a estética de sua beleza, mas, de outro, o estigma de sua marginalidade.

Sociais da Universidade Federal do Pará. Atualmente é professor do programa “Novos Talentos” (CAPES) da UFPA e do “Programa Nacional De Formação de Professores da Educação Básica” da “Universidade do Estado do Pará – UEPA”.

O antropólogo dedicou seus estudos sobre prática da tatuagem na graduação e mestrado. Nessa conversa ele discorre sobre seu foco de pesquisa, a percepção contemporânea do uso da tatuagem, sua imagem como arte ou como símbolo da marginalidade, o preconceito ainda presente, e muito mais. Confira:

Luciana: No seu trabalho, você analisa a prática da tatuagem contemporânea e o estigma que a envolve. Que conclusões você chegou a respeito de como as pessoas percebem essa prática atualmente? Aquela visão negativa ainda é muito presente e por quê?

Helio Netto: Primeiro de tudo, eu sou tatuado. Já começa por aí! E eu sempre escutava que a tatuagem era uma coisa que tinha mudado, que hoje em dia todo mundo faz tatuagem, que não era mais como antigamente. Mas aí é que tá… Ao mesmo tempo em que a tatuagem é uma coisa estigmatizada ela também é uma coisa artística, e é aí que mora a confusão. Há uma espécie de paradoxo. De um lado se tem uma estética da beleza. A tatuagem é uma coisa bonita, algo que é um ideal de beleza que está no corpo dos homens e das mulheres, mas ao mesmo tempo ainda tem aquele estigma antigo, de que é uma coisa de vagabundo, de drogado, maconheiro, de prostituta e tudo mais. Então, dependendo da situação, de qual pessoa estas analisando, pode ser as duas coisas. A mesma pessoa, só que em ambientes sociais diferentes, vai ter uma visão diferenciada da tatuagem. A tatuagem é uma coisa bonita, todo mundo quer fazer um dia, mas também é algo que deve se evitar. Um dos casos que me chamou mais atenção foi o de um tatuador que conversando comigo a respeito disso ele afirmou que essa história de preconceito não existe mais, “ninguém tem mais preconceito, todo mundo se tatua” e tal… Então, de repente, ele diz: “O que não pode é um juiz ser tatuado… Como eu vou ser julgado por juiz que tem tatuagem?!”. É percebido na fala das pessoas que é algo contraditório. Algumas afirmam gostar de tatuagem, mas no ato, há aquele receio, cuidado de evitar certas partes do corpo muito visíveis, como pescoço, por exemplo, com medo do que outras pessoas vão pensar. Antes de se tatuar, a pessoa pensa, primeiramente, em quais locais ela vai fazer. Então, de fato, se fosse algo bonito, não haveria razão para se preocupar com isso.

Luciana: E quanto ao fato de que muitas pessoas são impelidas a fazer tatuagem para se encaixarem em determinado grupo, para adquirir certa ‘’imagem’’ que outras pessoas vão ter delas, não porque a veem como arte?

Helio Netto: Ela esta querendo ser… A tatuagem quer dizer “Ei, eu não sou mais marginal, eu sou artística”. Você vê que existe uma mudança de status muito grande, quando ela já não é vista somente no corpo da prostituta, do marginal, mas agora no corpo do juiz, do advogado, do jornalista, ela ta querendo crescer um pouco dessa marginalidade. Quando eu digo que é algo artístico, eu to negando esse caráter negativo. O conceito de tatuagem como arte começou a ser introduzido na década de 70, 80… Agora se ela é ou não, no mínimo tem pretensão de ser. E a tatuagem é uma imagem, e por assim se definir, é passível de ser interpretada todo tempo. Uma mesma tatuagem pode ter diversas interpretações, até pela pessoa tatuada. Ou seja, uma única tatuagem, um único desenho, vai sendo ressignificado de acordo com a vida dessa pessoa. E eu trabalhei muito imagem, porque Antropologia é uma área mais “solta”, mais aberta para esse tipo de estudo, mas não é tanto. A imagem é uma coisa muito observada atualmente, todo mundo fala sobre antropologia visual, mas ainda tem um rancho desse positivismo, ainda tem essa vontade de querer ser uma ciência dos moldes exatos. Quando eu fiz meu trabalho, eu propus uma espécie de crítica a isso. Nele eu ponho fotos coloridas, outras em preto e branco, algumas preenchendo páginas inteiras, para que as pessoas que olhem tenham suas próprias interpretações. Eu fiz isso pra mostrar que eu não quero representar uma película do real, como existe essa idéia de que a fotografia é uma representação do real. Então no meu trabalho não vai ter imagem com legenda porque a imagem também é texto, então ela vai compor meu trabalho de acordo com o que estou escrevendo. Como eu pretendo fazer uma espécie de hermenêutica das imagens, minha interpretação já começa na medida em que eu escolho as imagens. Não preciso descrevê-las, prefiro deixar em aberto a múltiplas interpretações.

segundo helio

Helio apresenta em sua pesquisa fotografias de seus interlocutores. Em sequência o ensaio "A Primeira Tatuagem", com uma das pessoas pesquisadas pelo antrópologo.

Esse estereótipo da marginalidade não muda. Está em tudo, acho muito difícil mudar isso porque as próprias imagens midiáticas vão reforçando isso…

Luciana: Então a mídia ajuda a sustentar isso?

Helio Netto: Reforça, sempre que pode ela reforça. A imagem influencia tudo. Se você pegar, por exemplo, o jornal policial, e você se deparar com a foto de dez homens sendo presos, aquele detido que tem tatuagem esta sem camisa. Coincidência ou não, acontece. Mas ao mesmo a mídia também mostra a tatuagem como algo bonito, o cara vai lá ao programa do Gugu e faz uma tatuagem… Então é um paradoxo. Sempre há os dois lados. Até mesmo a ciência reforça esse estereótipo negativo… Como eu tava trabalhando com imaginário, eu fui buscar imagens que remetem a essa idéia de marginalidade. Isso foi muito vigorado pela ciência já na virada do século, quando aqueles primeiros médicos tentavam pegar os atributos físicos para tentar explicar os atributos morais, ou seja, eles queriam dizer que o cara que tem tatuagem tem tendências homicidas, “é um psicopata” e tudo mais. Então pessoas que eram expoentes da medicina legal, a exemplo de Cesário Lombroso, faziam esse tipo de trabalho e eles são reportados até hoje. Se você digitar na internet “tatuagem” e prisão”, vai encontrar muita gente fazendo trabalho semelhante ao desses caras que faziam no século IXX. Então, a própria ciência reforça isso também. Cito um episódio, como exemplo, em que eu fui a um congresso de antropologia para assistir a trabalho de uma amiga e presenciei a chacota dos pesquisadores devido a pesquisa dela focar a prática da modificação corporal. Chegaram a perguntar a ela se era “eticamente plausível estudar um grupo desses tão pequeno e irrisório”, e perguntavam: “Por que essas pessoas não têm um médico perto deles pra fazer isso (body modification)¿”. Coisas completamente absurdas e preconceituosas de você ouvir, principalmente, de uma mesa de antropologia. Geralmente trabalhos que focam a tatuagem ou boby modification são trabalhos menores, pouco explorados, por isso, tratados com menos relevância. As pessoas perguntam: “Porque estudar isso¿ Há tanta coisa mais importante a ser estudada…” e tal. Mas nós vemos que isso faz parte de tudo, tatuagem está presente em tudo… Ao ir ao Círio de Nazaré, hoje em dia, vemos muitas pessoas tatuadas. Há cinco anos não havia isso. As pessoas estão cada vez mais aderindo à tatuagem, os jovens estão se tatuando cada vez mais cedo.

Luciana: Apesar do preconceito, ainda existente, porque achas que esse interesse pela prática tem crescido cada vez mais?

Helio Netto: Eu acho que é uma forma de dar sentido à vida dessas pessoas, porque muitas tatuagens não são por impulso. Por incrível que pareça, por mais que existam muitos que a praticam por impulso, por questão de estética, por querer só enfeitar o corpo, há muita gente que faz como uma forma de expressão mesmo. Conheci uma garota que tatuou o nome do irmão, já falecido, porque era uma forma de ter o irmão perto dela. Ela me disse: “Eu sinto como se ele estivesse me protegendo”. Então é algo maior, tem uma coisa de transcendência. O cara que tatua a filha no corpo dele não é algo para ser ignorado.

Luciana: Só pra finalizar. É uma pergunta clichê, mas necessária. Quais as expectativas para o evento?

Helio Netto: Eu tô muito otimista. Eu sinto falta na antropologia dessa discussão sobre a imagem. Apesar de a antropologia querer ser “Antropologia visual” e tal, eu vejo trabalhos muito fechados. Eu penso que é preciso cada vez abrir mais esse diálogo entre imagem e ciência, não como forma de complementar a ciência, mas como forma de analisar a imagem, no sentido de deixá-la mais livre. Estou bastante otimista.

Mesa sobre poéticas do corpo e dança-teatro encerra prévias do CLIC

Por Luciana Alcantara

A mesa com o tema “Poéticas do corpo e Dança-Teatro” concluiu o 4º e último Pré Culturas, Linguagens e Interfaces

O último Pré CLIC fez parte do IV Seminário de Pesquisa em Dança da ETDUFPA.

Contemporâneas (Pré CLIC) na quinta-feira, dia 22. O debate também fez parte da programação do IV Seminário de Pesquisa em Dança da Escola de Teatro e Dança da UFPA. Estiveram presentes no debate a professora Profa. MsC. Mariana Marques, o Prof.Me. Saulo Silveira, e a Prof. Esp. Mayrla Andrade, como mediadora, todos da Etdufpa.

Na discussão foram apresentadas teorias sobre o surgimento, conceituação e história da chamada dança-teatro e sua relação com a dança contemporânea. A professora Mariana Marques iniciou o debate relatando brevemente o nascimento dessa modalidade, considerada recente, e sugerindo uma possível conceituação dessa prática que é comumente interpretada como uma união da dança e do teatro. Para ela, dança-teatro é uma incorporação de várias técnicas provenientes de diferentes artes correspondentes ao corpo: “Essa modalidade une movimentos da dança, do teatro, da mímica, e de muitas outras artes que proporcionem voz ao corpo. Tudo isso é expressão corporal”.

Durante o debate, nomes como Rudolf Laban, Pina Bausch, Mary Wigman, entre outros, são apresentados e contextualizados pela artista. Todos precursores dessa arte, que segundo ela, surgiu na Europa, ligada ao expressionismo alemão. E cita que Pina Bausch, considerada até hoje a grande expoente da dança-teatro, agregava diversas artes, como a dança, o teatro, artes plásticas, a poesia, não as separando, mas fazendo uso de todas para compor a sua própria arte, levando a sua marca: “A dança dela tem cadeira, tem água, tem crocodilo, então eu pergunto: Isso é dança-teatro ou isso é dança contemporânea? É contemporânea, porque vivemos no mundo contemporâneo”, ressalta. E alega que não existe a dança contemporânea, mas existe o pensamento: “É o que eu vou por na minha dança, aquilo que eu quero, o que me interessa. A minha dança é o que eu penso. Prefiro não definir minha arte”, declara. Assista abaixo “Sagração da Primavera” de Pina Bausch, em que a bailarina procurava utilizar da memória emotiva de suas dançarinos-interprétes nas suas criações, privilegiando uma dança subjetiva, com diálogos e gestos emocionais:

Dando prosseguimento à discussão, Saulo Silveira propôs uma análise histórica da dança-teatro e suas transformações no decorrer do tempo, e questiona: Seria essa prática uma “cristalização artística” ou uma conseqüência de uma “transformação epistemológica?”. Para elucidar isso ele começa explicando o conceito de “episteme”, para ele, importante para pensarmos em dança contemporânea: “Episteme nada mais é do que o pensamento que circula em determinado contexto histórico-social. É o que circula no pensamento das pessoas, o que as motivam, a razão para o surgimento da dança-teatro”.

O teórico, coreógrafo e dançarino austro-húngaro Rudolf Laban também foi mencionado em seu discurso como um dos mais importantes precursores da arte, pois a livrou dos movimentos estéticos tradicionais, mecânicos, e proporcionou à prática mais liberdade ao corpo, dando surgimento ao termo “dança-teatro”. Segundo Saulo, essa idéia vai sendo multiplicada: “ele tirou a dança do movimento bidimensional e a trouxe para o tridimensional. Várias pessoas começaram a abraçar essa idéia, essa episteme que estava sendo construída na era moderna”.

Saulo Silveira destacou a atuação do coreógrafo e dançarino austro-húngaro Rudolf Laban para o desenvolvimento da Dança-teatro. Foto: Jéssica Oliveira

Ele reitera que a modalidade não foi desenvolvida para uma pessoa. “Existe uma gama de pessoas incumbidas com o mesmo pensamento, a mesma episteme”. Desde Rudolf laban, na década de 20, até os dias atuais, as pessoas tem buscado o mesmo afastamento em relação à tradição, como uma “imposição criativa do novo tempo”, sentida até os dias atuais, presente na exigência de inovação, renovação e criação. “No decorrer de 60 anos de existência da dança-teatro, ainda é algo novo na história de um pensamento. A mudança ocorre gradativamente”.

Após contextualizar as epistemes clássica e moderna, ele comentou sobre a episteme contemporânea, discordando de alguns teóricos que elaboraram um conceito fechado de dança-teatro, onde pontuaram alguns elementos presentes na arte para classificá-la. “Esses elementos foram vistos na dança teatro contemporânea que foi visto com Pina Bausch, com Maguy Marin… então para ser dança-teatro teria que estar enquadrado nessas pontuações feitas pelos autores?”, questiona.

E finalizou afirmando que se pensarmos que para fazer dança-teatro tem que haver vários elementos, essa idéia se opõe a transformação epistêmica que tende a construir. “Nós ainda estamos desenvolvendo dança-teatro, só que ela vem se transformando, com novas propostas de criação artística, acrescentando novas artes que vão surgindo por aí”, esclarece. Veja abaixo o espetáculo “May be”, de Maguy Marin. Maguy é uma das expoentes da dança-teatro contemporânea e nessa coreografia ela agrega elementos do cinema, literatura, teatro, pintura e ópera. A inspiração vem da obra do irlandês Samuel Beckett, um dos fundadores do chamado ”teatro do absurdo”:

Entrevista: Saulo Sisnando

Saulo Sisnando é escritor, ator e diretor teatral. Apaixonado pelo cinema e pelo teatro,

Saulo Sisnando teve como primeira arte de interesse o cinema, mas terminou "migrando" para o teatro. Hoje em dia transita entre ambos sem problemas. Foto: Jéssica Oliveira.

ele tenta mesclar esses dois universos em suas peças teatrais montadas em Belém, no Rio de Janeiro e São Paulo. Nesta entrevista, Saulo fala sobre o início da sua carreira, suas influências artísticas e sobre como o cinema pode se relacionar com o teatro, entre outros assuntos. Confira:

 Carolina Lourenço: Você é reconhecido por trazer o cinema para dentro dos seus espetáculos teatrais, virando a sua marca registrada. Conte-nos como começou a sua trajetória pelo teatro, literatura, cinema.

Saulo Sisnando: O meu interesse pelas artes começou pelo cinema, eu era muito apaixonado pelo cinema, mas por uma série de dificuldades eu acabei indo fazer teatro por ser mais simples, na época era mais acessível pra mim e isso foi me apaixonando. Mas o cinema era a grande paixão da minha vida e o teatro acabou sendo um apêndice e que acabou dominando a minha vida.

Carolina Lourenço: Quando foi que você atuou em uma peça e qual foi a primeira vez que você dirigiu um espetáculo?

Saulo Sisnando: A primeira peça que eu fiz como ator foi “Paixão Barata & Madalena” (2001) com o Wlad Lima e Cláudio Barros, depois fiz “Aurora e Minha vida”, “Rosa de Sangue”, “A Flor da Pele” com outros grupos e depois parei de fazer teatro e comecei a escrever. Em 2007 tem o recomeço da minha carreira em que montei o meu primeiro espetáculo, o “Útero – Fragmentos Românticos da Vida Feminina” e depois o “Popporn”, Quatro VS Cadáver”, “O Incrível Segredo da Mulher-Macaco”, “Trash”, “Cartas pra Ninguém, enfim, vários espetáculos depois desse restart onde eu realmente tinha largado o teatro só para escrever. Agora eu dirijo e de vez enquanto eu atuo também.

Carolina Lourenço: Suas obras trazem uma mistura de comédia, romantismo e um toque de terror. Quais são as suas influências e inspirações para você criar os espetáculos?

Saulo Sisnando: A influência dos meus espetáculos vem principalmente do cinema, tanto que os meus trabalhos são muito cinematográficos, e eu tenho duas vertentes, tem uma coisa do macabro e o lado do romantismo, sendo que as influências surgem da minha vida mesmo. As peças mais românticas são dos meus amigos que contam histórias e de gente que chega pra mim e fala “tenho uma história pra ser colocada em uma peça”, e elas vão me contando as histórias e eu acabo pegando essas histórias por aí, transformando-as em crônicas que acaba virando espetáculos teatrais. As que têm o lado mais macabro, como no caso da “O Incrível Segredo da Mulher-Macaco” e “O Misterioso Desaparecimento de Deborah Rope”, elas vem do meu trabalho em uma câmara criminal, sou advogado também, onde sou muito influenciado por aquele universo de crimes e percebo que o mundo real é muito mais chocante do que o mundo da arte.

Carolina Lourenço: As peças criadas por você fizeram sucesso tanto em Belém como no Rio de Janeiro e São Paulo. Como você enxerga a cena cultural paraense contemporânea?

Saulo Sisnando: Os meus trabalhos no Rio são mais mainstream, onde você precisa ceder pra que o espetáculo não seja rejeitado. Quando eu faço espetáculo em Belém eu tenho mais permissão pra fazer, porque os espaços são mais baratos do que no Rio de Janeiro e São Paulo, então como eu pago os meus espetáculos, eu tenho muito mais liberdade aqui e acaba sendo um espetáculo que eu realmente queria fazer, do meu jeito. O cenário cultural paraense eu acho muito bom, assim, porque entre dirija lá e dirigir aqui, eu prefiro dirigir aqui como artista. Aqui em Belém eu tenho a possibilidade de trabalhar com grandes diretores e dirigir grandes atores.

Segundo Saulo, Belém lhe possibilita mais "liberdade" artística e a chance de trabalhar com grandes diretores e grandes atores. Foto: Jéssica Oliveira.

Carolina Lourenço: O CLIC abordará as várias interfaces que são possíveis para a produção cultural. Pelos seus trabalhos, é possível perceber que você procura usar várias interfaces para realizar uma representação, seja pelo teatro, literatura e até pelo cinema. Quais estratégias você usa para unir essas vertentes e por que você tem interesse específico nessa abordagem multidisciplinar?

Saulo Sisnando: Eu sou muito apaixonado pela televisão, pelo cinema e eu gosto muito de uma frase da Janete Clair que fala: “o segredo de uma novela é juntar um pouco de amor, um pouco de traição, um pouco de tristeza, um pouco de felicidade, sem exagerar nada em nenhuma dessas doses.”, então eu sempre tento levar isso ao pé da letra e equilibrando essas coisas. Quando vão assistir a minha peça, os desavisados pensam que um grande “oba-oba”, que é uma grande brincadeira, mas que não é. Tanto que eu estou fazendo a minha tese de mestrado sobre isso, que tem uma consciência em cada um desses elementos que estou colocando. Não existe uma regra, o meu método de criação é que vou fazendo colagens e transportar isso pro teatro. É uma coisa mais de sensação, de teste e que vai acontecendo.

Carolina Lourenço: Você irá participar da Mesa de Debates “Corpo, representação e linguagens: teatro, dança e a mídia” do CLIC. Qual a importância deste tema e quais as suas expectativas para o evento?

Saulo Sisnando: Qualquer coisa que aglomere pessoas e que leve a discutir qualquer coisa, eu já acho válido. Existe uma série de pessoas pesquisando várias coisas por aí e ninguém está sabendo o que essas pessoas estão pesquisando, estudando. Então, a grande importância do CLIC é isso, a discussão dos trabalhos, dos processos criativos, descobrir como as pessoas que mechem com as mídias. Sobre a mesa de debates, eu vou falar sobre a mistura do teatro com o cinema, estou trabalhando em um conceito do efeito cinema em como você leva a percepção do cinema pra um espetáculo teatral, e estou mergulhado nesta pesquisa de tentar mostrar que o cinema pode atingir o espetáculo teatral, a ponto de trazer a magia do cinema para o teatro.

Saulo apresentará no 1º CLIC um pouco de suas experiências sobre como o público "leva a percepção do cinema para um espetáculo teatral". Foto: Jéssica Oliveira.

Carolina Lourenço: Você tem novos projetos em pauta?

Saulo Sisnando: Tenho vários. Estou em cartaz no Rio com o espetáculo “O Incrível Segredo da Mulher-Macaco” até março do ano que vem. Está em cartaz em Belém a peça “Útero – Fragmentos Românticos da Vida Feminina”. Estou em um processo pequeno de montagem de um espetáculo que se chama: “Por Um Segundo Apenas”, que também mexe com essa interface do cinema com o teatro, pegando diálogos de filmes e colocando-os em cena. Estou também ajudando a Ana Flávia Mendes a construir um espetáculo de dança, baseado em um poema de João Jesus Paes Loureiro.

“Cultura de margem” é debatida no 3º Pré CLIC

Por Luciana Alcantara

O 3º Pré Clic, realizado no último dia 20, no auditório do Centro Cultural Sesc Boulevard, promoveu a discussão com a temática “Margem não é fronteira”. A mesa contou com a presença da Profª. Drª. Nírvia Ravena, da Universidade da Amazônia e Universidade Federal do Pará, o músico Carlos Henrique Brandão (DJ Masa), o jornalista e ator Leandro Oliveira e André Leite, um dos responsáveis pelo Pindorama Cine-Educação e Projeto Cinema na Utopia.

A mesa propôs a discussão em torno da habilidade de muitas pessoas em fazer trabalhos inovadores e autênticos, mesmo

Segundo André Leite, um dos principais objetivos do Pindorama Cine-Educação é instigar as pessoas apresentando filmes plasticamente e "politicamente" significativos. Foto: Victória Costa.

sem o estímulo das mídias tradicionais, como TV, jornais e demais veículos de grande circulação e visibilidade. Alguns participantes da mesa levaram casos exemplares de modo a ilustrar que esses fenômenos estão em evidência e vêm crescendo, cada vez mais, com a ascendência das novas tecnologias de comunicação na contemporaneidade. A primeira situação foi apresentada por André Leite, integrante de dois projetos de manifestação cultural: Pindorama Cine-Educação (http://www.pindoramacine.blogspot.com/) e o projeto Cinema na Utopia, ambos gerenciados pelos próprios idealizadores e independentes de auxílios governamentais ou institucionais. Ele explica que o projeto não se volta para discussões em torno das técnicas cinematográficas, como é freqüente nos cineclubes, mas para a exibição de filmes objetivando uma discussão político-social e cultural de acordo com o tema abordado nos mesmos. “Também produzimos textos sobre cada temática que nos é apresentada. Há uma produção de pensamento”, ressalta.

Já situação da arte teatral em Belém é um pouco mais crítica, como relata o jornalista e ator Leandro Oliveira: “O teatro em Belém, definitivamente, é cultura de margem”, enfatiza. Segundo o ator, há carência de incentivos públicos, e escassos espaços destinados para o desempenho dos grupos teatrais, desencadeando na procura por alternativas que estão “à margem” da grande mídia. “A TV não pauta cultura, e isso é muito ocorrente aqui. Não há espaço, mesmo dentro dos cadernos de cultura dos jornais”.

Para Leandro Oliveira, o teatro em Belém "definitivamente é cultura de margem". Mesmo assim, as produções crescem à cada ano. Foto: Victória Costa.

A forma encontrada pela comunidade teatral de manter o seu público informado e ganhar mais visibilidade é através das redes sociais como blog, twitter e facebook. “O blog funciona como uma espécie de diário de bordo onde colocamos o desenrolar dos ensaios, e todas as novidades da companhia teatral. É uma forma de fidelizar e conquistar mais público”, explica. Ele cita também a iniciativa de uma professora que elaborou o projeto “Rede Teatro da Floresta” (http://redeteatrodafloresta.ning.com/), que é um site voltado para a divulgação das companhias de teatro e também funcionando como um espaço de troca e articulação entre os teatreiros amazônicos. O projeto já conta com mais mil adeptos e se expande cada vez mais, se revelando como uma alternativa de manifestação promissora.

Outro caso importante e que foi apresentado na discussão é o sucesso vivenciado pelo maranhense Carlos Brandão, mais conhecido por DJ Masa, que adquiriu prestígio internacional produzindo músicas e vídeos apenas com os recursos oferecidos na internet. “A contemporaneidade possibilita que participemos de várias redes, e ter o domínio de várias técnicas para a produção de diversos conteúdos”. Foi por meio da internet que ele teve acesso à cultura musical oriental. Interessado na música pop produzida lá, em especial a da Coréia do sul, em que se foca seu trabalho atual (K-POP), ele começou a divulgá-la no Brasil por meio das redes sociais, com intuito de popularizá-la no país. “Não demorou muito para que eu começasse a construir meus próprios mashups (mistura de várias referências musicais distintas para formar uma música nova), fazendo uso de habilidades próprias e de tutorias e softwares disponibilizados na rede”. A fama do DJ veio em decorrência dessa divulgação em redes sociais, como o youtube. “Eu acho que a minha “marginalidade” está nesse trabalho desenvolvido pelo fã, na divulgação sem esperar nada em troca, apenas o reconhecimento de outros fãs”, declara o DJ que em 2006 fundou o blog “Masa Mixes” (http://www.masamixes.com/), onde compartilha seus trabalhos. E é justamente do Youtube que apresentamos um exemplo de seu trabalho. Confira:

Fechando a linha de discussão, a Professora Nírvia Ravena acrescentou ao debate alguns embasamentos teóricos, onde explanou sobre as novas tecnologias e sua relação com a democracia na contemporaneidade. Ela esclarece que apesar do fácil acesso às informações que nos possibilitam hoje as novas tecnologias, ainda há restrições impostas por instituições dominantes: “É mais fácil eu achar algo na internet que queiram que eu encontre, do que algo que eu realmente precise”.

Após a participação daProfa. Dra. Nírvia Ravena, o público que compareceu ao SESC participou da discussão acerca da "cultura de margem" no período contemporâneo. Foto: Victória Costa.

E defende que o acesso ao elemento informacional é fundamental para a autonomia do indivíduo: “É um instrumento de deliberação e um direito de expressão que possibilita acesso ao sistema político”. Segunda ela, as novas TIC’s diminuíram o fluxo de transação entre o indivíduo comum e a prestação de contas com o governante, mas ainda mais importante é sair dessa discussão da esfera pública e partir para a ação. “Estar à margem hoje é porque optamos não fazer parte desse mainstream, dessa corrente dominante”, conclui.

Minicursos e Oficinas aprovados

A Comissão Organizadora do 1º Culturas, Linguagens e Interfaces Contemporâneas torna pública a relação dos minicursos e oficinas que farão parte da programação do 1º CLIC. Confira a lista abaixo:

  • Minicurso: História e antropologia da moda e do corpo: introdução e caminhos de abordagens – Rui Jorge Moraes Martins Junior (Programa de Pós Graduação em Ciências Sociais/Ufpa)
  • Oficina: As diversas linguagens do jornalismo impresso – Aline Santos e Raissa Lennon (Comunicação Social – Jornalismo/Unama)
  • Minicurso: Antropologia de todas as coisas: Cultura Pop e Literatura Brasileira e suas intersecções com Gênero, Raça e Sexualidade – Mílton Ribeiro da Silva Filho (Programa de Pós Graduação em Ciências Sociais/Ufpa)
  • Oficina: Tambores, identidades e representatividades: o trato com o corpo nas representações coreográficas das danças folclóricas do Pará – Bruna Cibely da Silva Brito (Educação Física. Ufpa)
  • Minicurso: Do Rato ao Mundo: ideologias, interfaces e a(s) estética(s) da Disney – Ana Carolina Almeida Souza (Comunicação Social – Jornalismo/Unama)
  • Oficina: Marketing Etnográfico: A Cultura como elemento determinante no Comportamento do Consumidor – Lívia Teixeira Moura, Luma Barbalho Pontes, Maíze Carolina Rodrigues da Silva Ferreira (Secretariado Executivo Trilíngue/ Uepa)
  • Minicurso: Do digital ao hiperreal: a imagem e a contemporaneidade – Enderson Oliveira (Programa de Pós Graduação em Ciências Sociais/Ufpa)
  • Oficina: Faça seu site no bloco de notas – Raoni Joseph.
  • Minicurso: A rua e o grafite – Leila Leite (Programa de Pós Graduação em Ciências Sociais/ Ufpa)
A partir de sábado, dia 24, estarão disponíveis as fichas para inscrição nos minicursos e oficinas. Cada pessoa poderá se inscrever em até a) dois minicursos ou b) duas oficinas ou c) um minicurso e uma oficina. Aguardem.

Confira os aprovados para os GTs do CLIC

A Comissão Organizadora do 1º Culturas, Linguagens e Interfaces Contemporâneas torna pública a relação dos aprovados para apresentação de comunicações nos Grupos de Trabalho (GTs) do 1º CLIC. Confira a lista abaixo:

GT 01. Imagem, contextos e superfícies

  • Ausência, por Lucas Simões – Vera Maria Segurado Pimentel (Mestranda em Comunicação/ Unama)

GT 02.  Audiovisual, literatura e discursos

  • Audiovisualidades nas Mídias: O tempo e o espaço nas imagens da televisão por assinatura e da internet.  William Mayer e Gustavo Fischer (Mestrando em Comunicação/Unisinos-RS)
  •  As Realidades do Jornalismo Cultural no Pará e a identidade cultural – Andréia Rodrigues Teixeira, Frederico Fernandes de Mendonça, Larissa Noguchi de Oliveira (Graduandos em Comunicação/ Faculdade Ipiranga)
  • Rosto, uma verdade que me ultrapassa: A im-possibilidade de tradução em “A hora da estrela” de Clarice Lispector  (Hadson José Gomes de Sousa – Mestrando em Letras/ Ufpa – Capanema)
  • Identidade, literatura e alteridade na Amazônia do Relato de um certo oriente – Auliam da Silva (Graduando em Letras/ Ufpa)

GT 03.  Corpo, performance e experiência

  • Do cinema para o palco: a influência cinematográfica no espetáculo teatral popPORN. Saulo Alexandre Picanço Sisnando (Mestrando em Artes/ Ufpa)
  • Irmãos e/ou rivais: os diálogos intersemióticos de amor e ódio entre cinema e teatro Saulo Alexandre Picanço Sisnando (Mestrando em Artes/ Ufpa)
  • A educação especial e o circo: A diferença que cria a arte – Maria Virginia Abasto de Sousa (Mestranda em Artes/ Ufpa) e Melina da Silva Aragão Faculdade Integrada Brasil Amazônia (FIBRA)

GT 04.  Música, meios, media: convergências e divergências

  •  “É o índio, é o índio, é o índio! é o guerreiro da galera!” A questão da identidade indígena na Aparelhagem Tuxaua – Jairo da Silva e Silva (Mestrando em Comunicação/ Unama) e Profa. Dra. Neusa Gonzaga de Santana Pressler (Unama)
  • Paraensismo: Antropologia, Identidade Cultural e Mídia – Cleber Mendes do Nascimento (Especialista em Estudos Culturais da Amazônia pelo Núcleo de Meio Ambiente – NUMA/UFPA)